Para a Ana.
à beira-mar, começou a primavera.
voavam-te os cabelos junto às ondas,
e eu divertia-me com a tua alegria florida.
trouxemos o mar nos lábios, na pele e nos bolsos.
e à noite guiamo-nos pelas estrelas, na planície silenciosa.
terça-feira, 24 de Março de 2009
segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009
corre homem corre
apanha-te
antes que te fujas
e o abismo
te desfaça
em mil tempos
em mil lugares
corre homem corre
entende-te
antes que te confundas
e o conhecimento
te ate
em mil nós
em mil nadas
corre homem corre
Dá-me a tua mão, Inês
serena e quente
a noite está fria de inverno
e o homem do espelho
olha-me desesperado.
apanha-te
antes que te fujas
e o abismo
te desfaça
em mil tempos
em mil lugares
corre homem corre
entende-te
antes que te confundas
e o conhecimento
te ate
em mil nós
em mil nadas
corre homem corre
Dá-me a tua mão, Inês
serena e quente
a noite está fria de inverno
e o homem do espelho
olha-me desesperado.
Faltava-me o teu abraço. Um vazio que pesa. E tu ali tão perto. A manhã de cristal a levantar tudo. Faltava-me o teu abraço. E afinal, as coisas, a vida, a conjugação da necessidade e do adiamento de tudo. Ali estava eu, sem dar conta, a sentir a tua mão no ombro. De volta à tua cidade. Tu acordado em mim. Tu de novo. Tinha ainda de. A vida que não pára e arrasta. E fui. E tu ali, a dizeres-me. E eu a gritar-te de longe. Que voltava. Que eram só cinco minutos. Que ía ao banco comprar futuro. Que. No banco, o tempo moído, amassado por sorrisos estudados e frases de ontem, aquecidas à pressa. Sim. Disse que sim a tudo. O tempo a afastar-me de ti. O tempo que já não conta. E depois corri. E a tua cidade já tinha mudado. Ou eu tinha mudado. Faltava-me o teu abraço. Como uma sala vazia, mas muito cheia. Muito cheia e por isso vazia. Sabes? Tu sabes. E procurei-te. Sentia a tua mão no ombro. Procurei-te, na tua procura por mim. Tu ali há séculos, a veres passar os homens e mulheres da tua cidade. Tu a fitares-me. De repente. Ambos sabiamos. Sabemos. Não deixámos nada por dizer. E não era já tempo para semear palavras. Faltava-me o teu abraço. Olhos nos olhos. Olhos nos olhos, outra vez. Pela primeira vez? A tua rua está mais fria. A manhã de cristal. Um sol fresco a brilhar-te nos olhos. Olhámo-nos no espelho. O dia a arrastar-me para longe da tua cidade. Faltava em mim o teu abraço. E outros, lá de longe a gritarem-me que. A vida, sim a vida. Só queria. Uma casa muito cheia, mas vazia. Tu sabes. O teu abraço. Este espaço vazio. É preciso lançar os dados. O teu abraço. Falta-me o teu abraço. Falta-me, como o sal ao mar. Voltarei, um dia, para bebermos uma cerveja e rirmos juntos. Tudo de novo, pela primeira vez.
Com um céu mais azul ou ruas mais fieis,
o Mundo poderia estar nas linhas das tuas mãos
e eu navegava por elas ao fim da tarde, à beira rio.
o Mundo poderia estar nas linhas das tuas mãos
e eu navegava por elas ao fim da tarde, à beira rio.
terça-feira, 26 de Agosto de 2008
Para a Ana
Ao sul
o tempo infinito da planície
o mistério de uma fonte antiga
a água fresca dos teus lábios
a sombra branca do casario
as manhãs azuis de julho
a tua pele de areia e sal
a abóbada da azinheira
o sonho liberto de uma praça
o sol no teu olhar
o chão a cheirar a terra
a cegonha em geometria
a brevidade do teu gesto
na negra noite das estrelas
o sono leve do corpo
que é meu teu meu teu meu teu m e u t e u m e u t e u
Ao sul
o tempo infinito da planície
o mistério de uma fonte antiga
a água fresca dos teus lábios
a sombra branca do casario
as manhãs azuis de julho
a tua pele de areia e sal
a abóbada da azinheira
o sonho liberto de uma praça
o sol no teu olhar
o chão a cheirar a terra
a cegonha em geometria
a brevidade do teu gesto
na negra noite das estrelas
o sono leve do corpo
que é meu teu meu teu meu teu m e u t e u m e u t e u
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